sábado, 25 de novembro de 2017

Resumo Histórico do Trem Metropolitano de Salvador

por Alexandre Santurian, 24/02/1992

Atualmente operado pela CBTU, o sistema de trens de subúrbio de Salvador compõe-se de material rodante já obsoleto e no limite da sua vida útil. Para se chegar aos dias atuais vamos voltar um pouco ao passado para lembrarmos parte da história da antiga Viação Férrea Federal Leste Brasileiro - VFFLB, como até hoje é conhecida pela população local, a atual SR-7 da RFFSA.

Histórico

Em 28 de junho de 1860 era inaugurado o trecho ferroviário que ligava o bairro da Calçada ao subúrbio de Paripe, com uma extensão de 15,2 km em via singela e bitola de 1,60 m. Os trens eram tracionados por locomotivas a vapor, que percorriam o trecho após uma hora de viagem.

No decorrer do tempo esse trecho passou por uma série de reformas, como a mudança da bitola para 1,00 m na primeira década deste século, a aquisição das primeiras automotrizes diesel de fabricação alemã entre 1926~1929 e a construção de automotrizes diesel nas antigas oficinas de Aramari (próximo a Alagoinhas), a modernização das estações do subúrbio entre 1936~1943, a duplicação das linhas, a construção da ponte São João sobre a enseada dos Cabritos (inaugurada em 1952 e que substituiu a antiga ponte de Itapagipe, construída pelos ingleses) e a eletrificação, para que as locomotivas a vapor dessem lugar a modernas unidades elétricas. A duplicação das linhas até Paripe e a eletrificação ocorreram nas décadas de 40 e 50.

A Bahia já teve cerca de 230 km de linhas férreas eletrificadas: a partir de Salvador, iam até Alagoinhas e, pela Linha Sul, de Mapele até Conceição de Feira. Esses trechos eram percorridos por 13 locomotivas elétricas IRFA, de construção nacional e material elétrico Brown-Boveri e, no início dos anos 80, por 5 locomotivas elétricas Metropolitan Vickers de fabricação inglesa que vieram da SR-2. As locomotivas elétricas foram desativadas por volta de 1986~1987, visto que a eletrificação foi virtualmente erradicada na SR-7, somente restando o trecho do subúrbio operado pela CBTU. Os motivos principais do fim da tração elétrica na Bahia foram a baixa produtividade das locomotivas em função do volume de cargas tracionadas e os constantes furtos dos cabos elétricos da rede aérea, além da própria obsolescência do sistema e da falta de manutenção adequada.

Até 1972, os trens de subúrbio percorriam as linhas até o município de Simões FIlho. Depois passaram a ir até Aratu, Mapele e, a partir do início dos anos 80, somente até Paripe. A demanda atual de passageiros é menor do que há alguns anos, em virtude da crescente concorrência dos ônibus, que oferecem hoje um nível de conforto melhor pagando-se somente Cr$ 50 a mais do que o trem, se bem que este é mais rápido. As empresas de ônibus municipais estão atualmente remodelando suas frotas rapidamente com a aquisição de ônibus do tipo Padron, cobrando tarifas de Cr$ 450, enquanto o trem da CBTU custa Cr$ 400 desde há pouco mais de duas semanas, quando até então sua passagem custava Cr$ 270.

Características técnicas:

Extensão do trecho: 13,76 km 
Número de linhas:         2 em bitola de 1,00 m 
Tipo de tração: elétrica com 3.000V CC 

A via permanente, dupla, foi totalmente reconstruída em 1981-1982 e constitui-se de uma superestrutura de primeira categoria com as seguintes características:

Trilhos TR-45 soldados eletricamente, dormentes bi-blocos de concreto com taxa de 1.667 dormentes / km com fixação elástica isolante tipo RS e com velocidade máxima permissível de 70 km/h. O sistema é eletrificado com rede aérea de tração de 3.000V CC e alimentado por duas subestações retificadoras, sendo uma em Lobato (km 3,4), atualmente desligada por medida de economia, e outra em Periperi (km 10,8). Esta última atualmente alimenta todo o sistema e está tão sobrecarregada que somente permite o tráfego simultâneo de 3 TUEs formados por 2 carros-motores e 2 carros-reboque, cada.

No trecho Salvador-Lobato a sinalização é semi-automática, com o pátio da Calçada e a entrada do Lobato dotados de chaves de intertravamento do tipo elétrico e interligados por uma seção de bloqueio semi-automático, com sinaleiros anões para os pátios e sinaleiros altos nas linhas principais. A sinalização do trecho Calçada-Lobato é realizada através de um operador na cabine de sinalização da Calçada e outro na pequeníssima cabine do Lobato. Desta última estação até Paripe os trens são licenciados por telégrafo em código Morse e pelo sistema de talão, com troca deste último em Periperi.

Material rodante 18 carros-motores GE / ACF (American Car & Foundry), construídos nos Estados Unidos em 1962. Cada um possui 2 cabines para o maquinista, 2 pantógrafos, comprimento de 17,8 m e largura de 2,8 m, numerados E-101 a E-118. Cerca de 9 destes carros vieram da SR-2 no início dos anos 80 para reforçar o sistema suburbano de Salvador. 31 carros-reboque Pidner

Até o início do ano passado, os trens de subúrbio eram formados por 2 carros-motores e 3 carros-reboque, num total de 5 carros por composição. Em virtude da fadiga do material rodante e para não forçar os motores de tração, os trens hoje possuem 2 carros-reboque, cada.

Como somente 6 carros-motores rodam simultaneamente no sistema, teoricamente restam 12 em reserva. Vários realmente estão sendo reformados, mas com as mesmas características técnicas e com muita lentidão. Faltam peças de reposição e recursos para acelerar estas reformas, e os trens rodam como podem.

Lotação por carro:                         250 passageiros 
Velocidade média comercial:                 35 km/h 
Tempo de viagem média Calçada-Paripe e vice-versa: 25 minutos 
Intervalo mínimo entre trens:         20 minutos 
Intervalo máximo entre trens:                 30 minutos

Horário de funcionamento: De Segunda a Sábado, das 5h00 às 22h30. Domingos e feriados os trens não circulam. A CBTU justifica que, quando os trens rodavam nesses dias, até há pouco mais de um ano atrás, a população sujava e depredava os carros quando voltava das praias do subúrbio, muitos visivelmente alcoolizados. Como o número de policiais ferroviários é insuficiente para fiscalizar adequadamente as estações e as composições, resolveu-se suspender as viagens nos domingos e feriados.

O sistema atual, projetado para uma demanda de 60.000 passageiros / dia, deixa muito a desejar, principalmente no tocante à qualidade do material rodante, em precário estado de conservação. Os passageiros viajam em veículos com portas quebradas, assentos arrancados, composições sujas, vidros quebrados e sistema de segurança danificado em conseqüência da falta de manutenção adequada e à depredação que os próprios passageiros provocam no equipamento. Este já está no limite de sua vida útil e a única solução seria a renovação de todo o material rodante. É bastante certo que o sistema de Salvador não está no rol de prioridades da CBTU.

Somente para exemplificar, todos os carros-motores não dispõem mais dos limpadores de parabrisa, pois a CBTU alega que a população os arranca, conseqüência da falta de educação de uma parte do nosso povo e da falta de policiamento nas estações. Quando chove, os maquinistas são obrigados a colocar suas cabeças para fora das janelas e correm o risco de levarem pedradas dos moleques que brincam à beira das linhas, principalmente no Lobato. É por isso que a maioria dos carros são equipados com grades nas janelas, para que o usuário não fique desprotegido.

A CBTU já fez campanhas de conscientização da população para não depredarem os trens, mas estas campanhas devem ser intensificadas. A srª Cloé, da assessoria de comunicação social da SR-7, certa vez afirmou-me que o povo não é tão mal-educado assim. Se tivesse um sistema de trens melhor e com carros novos, não o depredaria.

De qualquer forma, e isso atestei, os trens de subúrbio saem e chegam no horário, mesmo com todos os problemas descritos.

A manutenção do material rodante é feita nos depósitos do pátio da Calçada, que carecem de reformas e modernização em suas instalações e euipamentos. Pude apurar que, nos tempos da VFFLB, a manutenção era muito mais rigorosa e criteriosa. As oficinas de Periperi, hoje pequenas, ainda pertencem à RFFSA e serão entregues à CBTU ainda este ano, visto que a manutenção de locos e vagões da SR-7 está sendo transferida para as duas oficinas existentes em Alagoinhas.

O sistema de trens suburbanos de Salvador tmbém é apoiado por 5 locomotivas diesel-elétricas U-8B GE / USA, para o caso de panes no sistema létrico ou defeitos nos carros-motores.

Número de estações do sistema: 8 (Calçada, Lobato, Almeida Brandão, Itacaranha, Praia Grande, Periperi, Coutos e Paripe).

A solução do sistema suburgano não é difícil, se bem que bastante custosa: renovação do material rodante, extensão da sinalização elétrica e automática para todo o subúrbio, criação e modernização das oficinas de manutenção, reforço na rede aérea de tração e o início de uma campanha sistemática de conscientização da população para a conservação dos trens e estações. Assim, se poderia até aumentar a demanda de passageiros.


REFERÊNCIAS:

Dados Históricos da VFFLB, de Alberto Cury Esper, ex-gerente de relações comerciais da SR-7.

Seminário sobre as ferrovias do Estado da Bahia, 1987, Clube de Engenharia da Bahia, AELB e RFFSA.

Ferrovias 1988, mapas da RFFSA.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Projeto do VLT para Arapiraca nunca saiu do papel

05/11/2017 - Cada Minuto

Por Roberto Gonçalves  

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A estação ferroviária de Arapiraca inaugurada em 1949 é o retrato do abandono. Atualmente é uma ilha cercada de lixo e entulhos por todos os lados, uma vergonha para a “Princesa do Agreste” que está suja e nem ao menos a gestão tucana, comandada pelo prefeito Rogério Teófilo realizou uma produção básica para comemorar os 93 anos de emancipação da terra de Manoel André.

Toda a extenção da linha férrea que corta a cidade pertence a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN)  concessionária  da antiga Rede Ferroviária do Nordeste. O percurso está sem trens de passageiros desde o inicio dos anos 80, a linha está totalmente abandonada e sendo depreciada pela ação do tempo.

Projeto do VLT nunca saiu do papel

Em janeiro de 1998 o então prefeito de Arapiraca Luciano Barbosa (PMDB) anunciou em ato solene a implantação do projeto  (Veículo leve sobre trilhos) – VLT.  Com o objetivo de  avaliar a infra-estrutura para a elaboração do projeto de implantação do metrô de superfície em Arapiraca, o ex-prefeito,  Luciano Barbosa fez o trajeto da linha férrea que corta a cidade entre a Estação Central e a Vila São José, zona rural.

O percurso de 16 km foi realizado na manhã de 10 (de janeiro), a convite dos técnicos da CFN e foi acompanhado por  secretários municipais. A avaliação, feita a partir do resultado do trabalho já executado na área pela CFN, iria permitir a Prefeitura encaminhar um estudo de viabilidade à CBTU para a instalação do VLT.

A proposta do ex-gestor que nunca saiu do papel, seria reativar o transporte de passageiros com baixo custo, numa área entre o Distrito Industrial de Arapiraca e a Vila São José. O projeto de alto valor social  atenderia mais de vinte bairros da zona urbana, além de comunidades da área rural.

O  projeto se concretizado traria uma série de vantagens.  O benefício social é muito grande e estaremos viabilizando um esquema de transporte coletivo estruturado, à partir dessa linha que já existe e corta toda a cidade, comentou na época,  Luciano Barbosa.  Em 2008, o Coordenador de Obra da CFN, José Morais Neto, anunciou que a liberação do tráfego já deverá ser feita a partir do início de 2009. O projeto nunca foi concretizado.

A  operação na época, seria  a limpeza, drenagem e recuperação da linha. Um trabalho que, de acordo com a análise prévia do ex-prefeito, Prefeito de Arapiraca, iria facilitar a efetivação do metrô de superfície. "Essa infra-estrutura nos beneficia muito", comentou.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Maceió terá estação rodoviária de integração com VLT no bairro de Jaraguá

24/10/2017 - TNH1


Um projeto do Município em tramitação na Caixa Econômica Federal, com recursos dos ministérios dos Transportes e do Turismo, vai implantar uma estação rodoviária em uma área cedida do Porto de Maceió, no bairro de Jaraguá, para promover a integração com a Estação do VLT.

A notícia foi confirmada nesta terça (24) pelo prefeito Rui Palmeira, durante solenidade de entrega da nova estrutura da Arena Pai e Filho – Manuel Valson e Rozião Alves –, no conjunto Eustáquio Gomes.

De acordo com Rui, o projeto conta com recursos já em conta, na ordem de R$ 3 milhões, e está sendo trabalhado junto à Caixa para que seja executada a licitação. “É um projeto em parceria com os ministros Marx Beltrao [Turismo] e Maurício Quintella [Transportes], que vai fazer a integração do VLT com com o transporte rodoviário. As pessoas vão ter, a alguns metros de distância, uma estação com ônibus para todas as regiões de Maceió”, declarou.

Arena Pai e Filho

A nova estrutura da Arena Pai e Filho, entregue hoje à população, recebeu serviços da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Semds), e foi readequada à prática esportiva dos moradores da região.

A arena recebeu alambrado e cerca na quadra de areia para futebol, novos bancos com jardineiras foram construídos e a pintura foi renovada. No local, a Superintendência Municipal de Iluminação Pública e Energia (Sima) também instalou novas luminárias. Antes, a prática esportiva na região acontecia em um espaço sem a estrutura que agora foi instalada pela Prefeitura.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Mercado do Artesanato ganhará estação de transbordo do VLT

22/10/2017 - Tribuna Hoje

Segundo a CBTU previsão para a inauguração da estação no Mercado é no início de 2018


Mercado do Artesanato na Levada ganhará estação de transbordo do VLT
Mercado do Artesanato na Levada ganhará estação de transbordo do VLT
Arquivo/Secom Maceió

O secretário interino do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária, Dênis Agra, participou, na última sexta-feira (20), da inauguração do novo terminal do VLT do Jaraguá, que vai entrar em operação no mês de novembro.

Durante a cerimônia, foi confirmada a estação de transbordo no Mercado do Artesanato, localizado no bairro da Levada, para dar acesso dos passageiros no local. A proposta havia sido acertada entre a Semtabes e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

“Essa parceria entre a CBTU e a Semtabes vai beneficiar os permissionários do Mercado do Artesanato. Com a estação de transbordo, o primeiro andar consegue ter mais movimento, através da vazão de passageiros”, afirma Dênis Agra.

Segundo a CBTU, a previsão para a inauguração da estação no Mercado é no início de 2018. O local passará, também, por melhorias na estrutura.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Estação do VLT em Jaraguá começa a funcionar em fase de testes na sexta-feira

19/10/2017 - G1

Estação Jaraguá inicia fase de testes na sexta (20) (Foto: Max Monteiro/ Secom Maceió)

A Estação Jaraguá, novo terminal do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), começa a funcionar em fase de testes na sexta-feira (20). Nesse período, motoristas que passam pelo bairro devem ficar atentos às passagens de nível. Segundo a Prefeitura de Maceió, a estação começa a funcionar definitivamente no dia 6 de novembro.

De acordo com a prefeitura, são oito passagens de nível ao todo, entre a estação do Centro e a de Jaraguá. Cada um dos cruzamentos por onde a linha do VLT passa foi sinalizado, com aparelhos sonoros e luminosos para indicar quando o trânsito estiver livre.

As passagens de nível ficam nos cruzamentos das Avenidas Buarque de Macedo e Walter Ananias com as ruas Barão de Anadia, do Imperador, Marechal Roberto Ferreira, Avenida Aspirante Alberto Melo da Costa, e as do Uruguai e Dr. Batista Aciolly, Avenida Comendador Leão e Travessa Melo Póvoas.

O prolongamento da linha do VLT até o Jaraguá é uma obra feita em parceria com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A prefeitura diz ter investido mais de R$ 250 mil, com serviços feitos pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Urbanização (Seminfra) e da Superintendência Municipal de Energia e Iluminação Pública (Sima).

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

VLT pretende mudar a rotina da UFV, de Viçosa e da Zona da Mata

13/07/2017 - Opção News

Anos de 1950, impulsionado pelo projeto de fazer o Brasil crescer “50 anos em 5”, o presidente Juscelino Kubitschek anunciava a privatização das rodovias. Segundo Fabiano Pompermayer, técnico de planejamento e pesquisas do Ipea “Em seis meses, você faz 500 quilômetros de estrada de terra. Isso em ferrovia leva três anos”, e os planos de JK não podiam esperar todo esse tempo.

A partir desta decisão, as ferrovias no Brasil foram sendo deixadas de lado e esquecidas. Atitude que, até hoje, custa caro para o bolso do país. Segundo o jornal Estado de Minas, o Brasil poderia economizar 113 bilhões de dólares por ano com fretes. Mas tem gente querendo reverter essa situação.

O ano agora é 2017, a Universidade Federal de Viçosa está finalizando a construção do seu novo restaurante universitário. Mas como locomover os alunos até o novo restaurante, que fica à 2,5 km de distância das 4 pilastras? É aí que entra o projeto de revitalização das linhas férreas da UFV e a construção de Veículos Leve Sobre Trilhos (VLT). O projeto pretende ligar as 4 pilastras ao novo RU, divido em três estações, a primeira na Vila Gianetti, a segunda no ginásio e a estação final próxima ao departamento de zootecnia, totalizando 2,5 km.

O projeto já tem a aprovação da reitora Professora Nilda de Fátima Ferreira Soares, e foi encaminhado para Brasília, aonde se espera conseguir o recurso necessário de R$ 1,4 milhões. O VLT terá a capacidade de carregar 50 pessoas sentadas e 60 em pé, e deverá ser cobrada de R$0,50 à R$1,00 no valor da passagem. O VLT, reutilizará trilhos que foram abandonados e a linha de trem da própria UFV, o que barateia o custo inicial da implantação. Já o custo operacional ainda não foi calculado, mas, segundo os mentores do projeto, cobrando R$o,50, por passageiro, já é possível manter o VLT.

Jershon Ayres de Morais, idealizador do projeto e membro do Circuito Turístico Serra de Minas, tem uma previsão otimista sobre a aprovação em Brasília. Ele afirma que “A Universidade não tem outra saída, a não ser investir na recuperação das linhas férreas para o transporte dos estudantes”.

Linha Silvestre x UFV:

E a construção de VLT’s não deve se limitar à UFV. A partir do novo Plano de Mobilidade Urbana de Viçosa (PLAMMOB VIÇOSA), que tem o objetivo de propor inúmeras alternativas para a diminuição dos graves problemas de mobilidade urbana na cidade, a Prefeitura Municipal de Viçosa pretende revitalizar linhas de trens na cidade para possibilitar a construção de um VLT, nos mesmos moldes do da UFV.

No curto prazo, o Plano propõe retirar estabelecimentos comerciais que ocupam a faixa de domínio e promover a reintegração de posse de trechos da linha que foram invadidos.

Ao mesmo tempo, serão elaborados os projetos de construção de uma ciclovia ao lado da ferrovia, ligando o CENTEV, no Silvestre, até a UFV, o que deve provocar uma grande transformação nos hábitos dos viçosenses com relação ao uso de automóveis.

É importante frisar que a Linha férrea, pela constituição, pertence à União e tem uma faixa de domínio de 15 metros de cada lado, a contar do eixo da linha. Hoje, o município de Viçosa tem a concessão das linhas e dos imóveis da rede Ferroviária, concedido pelo DNIT.

Linha turística Viçosa x Cajuri:

Ainda existe a possibilidade de incentivar o turismo na Zona da Mata com os VLT’s. A primeira linha deve ser a de Viçosa x Cajuri, com cerca de 12 km. Porém, como o principal objetivo dessa linha é estimular o turismo na região, o VLT só rodará nas sextas, sábados e domingos.

No último dia 11, em Belo Horizonte, O deputado Roberto Andrade participou de uma reunião com o secretário de turismo de Minas Gerais, Ricardo Faria, e representantes de entidades ligadas ao setor para discutir a revitalização da linha férrea que liga Viçosa a Cajuri. E, segundo a assessoria do deputado, os resultados da conversa foram positivos.

A linha Viçosa x Teixeiras deve ser a segunda a ser implantada. Mas a ideia dos projetos Caminho do Campo e Trem das Serras de Minas é de expandir para toda a região, passando por cidades como Coimbra, São Geraldo, Visconde do Rio Branco e Ubá.

Onde tudo começou:

Hoje o projeto dos VLT’s está indo para frente devido ao baixo custo para implantação do meio de transporte. Isso só é possível devido ao Engenheiro Mecânico Marcos Cravo. Marcos, que mora na cidade de Cataguases, é considerado um inventor e abraçou o projeto do Circuito Turístico Serras de Minas.

Agora, os veículos já estão prontos e devem ser testados nos próximos dias.

O resultado ainda não sabemos, mas as previsões para uma nova realidade no transporte na UFV, em Viçosa e na Zona da Mata são de grandes mudanças para o futuro próximo.

Reportagem: Daniel Reis.

Projeto desenvolvido em Cataguases pode ajudar a baratear os custos dos VLT’s de Viçosa

03/08/2017 - Opção News

O projeto que prevê a reativação das linhas férreas da Universidade Federal de Viçosa já foi aprovado pela reitoria e agora aguarda a aprovação da verba em Brasília. Orçado em 1,4 milhões de reais, o “VLT da UFV” pretende ligar a Vila Gianetti ao “Novo RU”, percorrendo cerca de 2,5 km.

Paralelamente, outro projeto visa ligar as cidades de Viçosa e Coimbra, em um “circuito turístico da Zona da Mata”, que deve ser extendido à outras cidades posteriormente. Neste caso, o projeto ainda está sendo planejado, junto ao Governo Estadual. Segundo o Deputado Roberto Andrade, um dos apoiadores do projeto, as conversas com o Secretário de Turismo Ricardo Faria estão avançadas. fechando a lista dos projetos utilizando as linhas férreas da cidade de Viçosa, o novo Plano de Mobilidade Urbana de Viçosa (PLAMMOB -VIÇOSA), proposto por arquitetos da Universidade Federal de Viçosa, visa, a longo prazo, ativar uma linha que liga do Silvestre as 4 pilastras, na tentativa de diminuir o trânsito na Avenida Castelo Branco. Porém, o plano diretor não executa, apenas sugere mudanças no planejamento urbano da cidade.

Leia mais na reportagem: “VLT pretende mudar a rotina da UFV, de Viçosa e da Zona da Mata

No ano de 2010, a UFV se mostrou interessada em construir um VLT. Porém, na época, a obra foi estimada em cerca de 8,5 mihlões de reais e acabou não indo para frente. Desta vez a meta é economizar e, caso os projetos dos VLT’s em Viçosa realmente sejam desenvolvidos, os gastos deverão ser enxutos. E isso só é possível devido a um projeto que está sendo desenvolvido na cidade de Cataguases – MG.

Movidos pela ideia de reativar as linhas férreas da cidade de Cataguases, voluntários do Núcleo Ferroviário Vale Verde de Cataguases estão criando um novo conceito de veículos férreos para passageiros. Atualmente no Brasil existem vários vagões abandonados, que foram utilizados nas décadas passadas para transporte de carga. Esses vagões estão inativos, porém ainda podem ser reutilizados, se passarem por reformas, para a carga de passageiros. A ideia é inserir motores de caminhões nas locomotivas e utilizar um mecanismo capaz de, com a força deste motor, fazer com que a locomotiva se desloque para frente ou para trás, sempre seguindo a linha do trem. Assim, a locomotiva torna-se um Veículo Férreo Alternativo (VFA), e não um VLT, como ficou definido na cidade de Viçosa. Marcos Cravo, um dos voluntários que está a frente do projeto afirma que “O VFA é capaz de fazer entre 7 e 8 km utilizando 1 litro de diesel, o que torna ele econômico. Além disso, reformando vagões abandonados e concertando as linhas férreas o custo do veículo torna-se muito viável”.

O VFA é um veículo criado para andar pequenas distâncias, com uma velocidade de cerca de 30 km/h, assim diminuindo os riscos de acidente. A ideia é que ele seja utilizado em circuitos turísticos ou para carregar uma pequena malha de passageiros na cidade, atendendo a demanda de municípios como Cataguases, Viçosa, etc.

Segundo Cravo, com a verba de R$1,4 milhões é totalmente possível inserir o VFA na Universidade Federal de Viçosa com dois vagões, como prevê o projeto da UFV.

Os vagões utilizados passarão por reformas. Neles serão colocados bancos para os passageiros, além de reparos na estrutura dos veículos, que não estão em funcionamento há muito tempo. Os vagões utilizados só serão escolhidos após a aprovação da verba em Brasília.

Em Cataguases, a ideia é que o VFA seja utilizado, inicialmente, para incentivar o turismo local.

André Tenuta, presidente do instituto cidade e coordenador do programa de motorização de vagões abandonados, acredita que “Se tudo der certo, em breve teremos uma grande indústria ferroviária na região, que vai produzir automotrizes para ocupar as linhas abandonadas e gerar muitos empregos”.

Preservando as linhas férreas com o “Biciclotrem”:

Para que tudo isso aconteça é importante que as linhas sejam preservadas. É aí que entra um projeto que recentemente conquistou o título de Tecnologia Social do Banco do Brasil, o “Biciclotrem” de Cataguases.


Biciclotrem é atração nas linhas férreas de Cataguases | Foto: Elias Fonseca
Visando preservar as linhas férreas da cidade, para que as mesmas posteriormente possam ser utilizados por veículos maiores e automotores, e ao mesmo tempo promovendo lazer para a população, voluntários criaram um veículo movido pela força das pernas. O Biciclotrem consegue transportar no máximo 6 pessoas e consiste de uma plataforma com duas bicicletas ligadas aos trilhos. Enquanto duas pessoas pedalam, as outras podem aproveitar o prazeroso passeio.

A tecnologia está fazendo sucesso na cidade e é uma ótima opção para os amantes do Ecoturismo. Marcos conta que “O título de Tecnologia Social do Banco do Brasil dá credibilidade para o Biciclotrem e atrai investidores e voluntários”. Ele também afirma que “O Biciclotrem só deu certo porque é um veículo que integra as pessoas. Já que, ao invés da pessoa pedalar apenas para ele, carrega mais pessoas sentadas nos bancos”.

Os voluntários estão otimistas em relação ao futuro das linhas férreas na Zona da Mata. Durante uma entrevista, realizada para a primeira reportagem sobre o tema, Jershon Ayres de Morais, idealizador dos projetos em Viçosa e membro do Circuito Turístico Serra de Minas, se mostrou confiante sobre o futuro dos projetos. O mesmo acontece com Marcos Cravo, que sonha em ver as linhas férreas de Cataguases ativas.

Ainda não sabemos quais serão os próximos capítulos dessa história, mas a previsão é que as linhas férreas da região voltem a trazer benefícios para a população e o turismo na região.

Reportagem: Daniel Reis